Melhores para trabalhar

8 de março: 4 gerações e as conquistas das mulheres

Hoje, 8 de março, é dia de celebrar conquistas e relembrar as lutas sociais, políticas e econômicas das mulheres. A data criada em homenagem a elas tem raízes históricas, que há mais de um século alimentam o desejo por respeito e igualdade, especialmente no mercado de trabalho. Nessa linha do tempo, diferentes gerações de mulheres – cada uma com a sua contribuição – sucedem as operárias americanas do final do século 19, que protestavam por condições dignas de trabalho e direitos iguais.

Percorrendo datas e lugares, chegamos à Campina da Alegria (SC). O ano é 1973, dois anos antes da ONU oficializar o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Numa época em que mulher, em geral, era “dona de casa”, a nossa colega Therezinha Lourdes Pereira iniciava sua trajetória na Irani. Hoje, com 75 anos, 45 deles dedicados à empresa, a história dela acompanha a chegada de um novo tempo, no qual as mulheres vêm conquistando o seu espaço.

De avanço em avanço, ela viu suas descendentes – filha, neta e bisneta, todas colaboradoras da Irani – seguirem o seu exemplo de dedicação diante da rotina de trabalho marcada pela dupla jornada.

Filha de pequenos agricultores, chegou à Campina da Alegria depois do casamento. Para ela, a oportunidade de trabalhar fora surgiu por acaso. “Um dia vim trazer um documento no RH e pedi se tinha vaga, aí fui contratada”, recorda.

O começo foi na função de plantio e desbaste manual de madeira, na área de reflorestamento, função majoritariamente exercida por mulheres.  Acostumada à vida na colônia, Therezinha se sentiu em casa. “No primeiro dia fiz calo no pé de tanto roçar (risos)… mas foi muito bom”, diverte-se, ao enfatizar o espírito de companheirismo entre as colegas.

Na família, o princípio da coletividade era o mesmo. Enquanto Therezinha trabalhava para contribuir com as despesas da casa, os quatro filhos pequenos se revezavam para ajudar a mãe nas tarefas domésticas. Mesmo assim, não era fácil.  “À noite eu preparava o almoço para o dia seguinte, pois naquela época a “firma” não dava a comida, tinha que levar a marmita. Nos finais de semana, eu fazia pão”, conta, sem esquecer de mencionar que naquela época tudo fica mais difícil por falta de comodidades como água encanada. “Tinha só uma torneira de água encanada na vila. A gente tinha que puxar com o balde e lavar as roupas numa sanga. Hoje tudo é mais acessível”, completa.

Com a bagagem que carrega e considerada uma precursora das lutas femininas, que se tornaram relevante a partir dos anos 70, incluindo a inserção delas no mercado de trabalho, a comparação com os dias de hoje é inevitável. “Vejo que está mudando a cultura. A mulher está ganhando mais espaço. É minha maior alegria ter a filha, a neta e a bisneta aqui. Eu vim na frente e depois elas vieram. É uma “firma” boa. Até que eu tiver saúde eu quero trabalhar, pois gosto muito do que faço”.

Therezinha exerce atualmente o cargo de auxiliar no viveiro florestal.

EXEMPLO A SER SEGUIDO

A Supervisora de Acabamento de Papel, Maria Salete Carvalho, de 55 anos, filha de Therezinha, viu na mãe um exemplo a ser seguido. Ela ingressou na Irani há 30 anos. Durante todo esse período na empresa, pode acompanhar o debate social sobre as posições profissionais que as mulheres ocupam.  “A mulher não tinham muito espaço, mas aos poucos foi conquistando seu lugar, demonstrando sua competência e qualidade. Hoje é mais valorizada”.

Para ela, não há impedimentos que limitem a atuação profissional em função do gênero. “A mulher pode exercer sua profissão e conciliar o seu papel de esposa e mãe, sem nenhum problema”, completa.

Se em 2019 o lugar da mulher é onde ela quiser, discurso reforçado pela militância feminista cada vez mais atuante, “só não conquista um espaço quem não quer”. A opinião é da Inspetora de Controle da Qualidade Ana Paula Carvalho, de 36 anos, filha de Maria e neta de Therezinha. Na Irani desde 2002, ela reconhece a garra e determinação da mãe e da avó e oferece às precursoras o melhor sentimento: a gratidão.

O gesto é compartilhado pela filha Monike, que iniciou a carreira na Irani como jovem aprendiz neste ano. A bisneta de Therezinha acredita que outros direitos ainda precisam ser conquistados, mas está convicta de uma coisa: seu futuro será construído sob o legado das suas antecessoras e das suas próprias lutas.